Quando sentimos dor, é natural pensar: “se dói, é porque alguma coisa está lesionada”. Em algumas situações, isso acontece. Depois de uma queda, uma entorse ou uma cirurgia, por exemplo, a dor pode surgir associada a uma lesão dos tecidos.
Mas a verdade é que a dor e a lesão não são exatamente a mesma coisa — e perceber esta diferença pode mudar a forma como olhamos para o nosso corpo.
Porque sentimos dor?
A dor funciona, em grande parte, como um sistema de proteção.
O nosso organismo recebe constantemente informação sobre aquilo que está a acontecer no corpo e à nossa volta. O cérebro interpreta essa informação e, quando considera que existe uma ameaça suficientemente importante, podemos sentir dor.
Isto significa que a dor não depende apenas do estado de um músculo, articulação ou tendão.
A dor é sempre real. O que pode ser mais complexo é perceber porque continua presente.
Também pode ser influenciada por fatores como:
- Experiências anteriores
- Contexto
- Stress
- Sono
- Medo
- Preocupação
Mais dor significa uma lesão mais grave?
Não necessariamente. A intensidade da dor que sentimos não funciona como uma escala exata da quantidade de dano existente no corpo.
É importante perceber como começou, o que agrava ou alivia, há quanto tempo está presente e de que forma está a interferir com a vida da pessoa.
E porque pode a dor continuar durante tanto tempo?
Na maioria das lesões, sentir dor inicialmente é uma resposta útil: faz-nos proteger aquela zona enquanto recuperamos.
Mas, por vezes, a dor pode persistir para além do período esperado de recuperação dos tecidos.
Imagine um alarme de uma casa. O objetivo do alarme é avisar quando existe perigo. Mas um sistema muito sensível pode começar a disparar com estímulos que anteriormente não seriam considerados ameaçadores.
Com a dor pode acontecer algo semelhante: o sistema de proteção pode tornar-se mais sensível.




